Descoberta foi confirmada no poço Morpho, na costa do Amapá; tamanho da reserva e viabilidade comercial ainda serão avaliados.

Publicado em 18 de agosto de 2026
A Petrobras confirmou nesta segunda-feira (17) a presença de petróleo no poço exploratório Morpho, localizado na Bacia da Foz do Amazonas, na costa do Amapá. O anúncio foi feito pela presidente da estatal, Magda Chambriard, durante uma coletiva de imprensa em Oiapoque, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de outras autoridades.
O poço está localizado no bloco FZA-M-59, a aproximadamente 175 quilômetros do litoral do Amapá, em uma área de águas ultraprofundas, com lâmina d’água de cerca de 2.886 metros. A Petrobras é a operadora do bloco, adquirido pela companhia em 2013, durante a 11ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Apesar da confirmação da presença de petróleo, a estatal ainda não sabe qual é o tamanho da reserva encontrada. Segundo Magda Chambriard, a perfuração do Morpho deve continuar por mais 15 a 20 dias. Somente após a conclusão dessa etapa será possível obter informações mais precisas sobre as características e o volume dos hidrocarbonetos identificados.
A Petrobras informou que a descoberta representa um resultado importante para a campanha exploratória na chamada Margem Equatorial brasileira. A companhia pretende continuar os trabalhos para entender o potencial da região e verificar se as reservas identificadas apresentam condições para uma futura exploração comercial.
NOVOS POÇOS ESTÃO PREVISTOS
A descoberta no Morpho não encerra a campanha exploratória. A Petrobras planeja perfurar outros três poços na região do Amapá, além de cinco poços em áreas adjacentes. A estratégia faz parte dos esforços da companhia para ampliar o conhecimento sobre a Margem Equatorial e avaliar a existência de novas reservas.
A presidente da Petrobras também afirmou que o início de uma eventual produção na região ainda depende de várias etapas de avaliação e desenvolvimento. Uma estimativa apresentada por Chambriard aponta que o Amapá poderia começar a produzir petróleo em aproximadamente seis a sete anos, caso os estudos confirmem a viabilidade da exploração.
IMPORTÂNCIA PARA AS RESERVAS BRASILEIRAS
A descoberta ocorre em um momento considerado estratégico para a Petrobras. A companhia busca novas áreas produtoras para garantir a reposição de suas reservas, diante da perspectiva de que a produção do pré-sal atinja seu pico entre 2034 e 2035.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a descoberta como um possível “passaporte para o futuro” e defendeu que a exploração da área seja acompanhada por medidas de proteção ambiental. Durante a visita ao navio-sonda responsável pela perfuração, Lula destacou o potencial econômico da região e a importância da soberania energética brasileira.
DEBATE AMBIENTAL
A exploração de petróleo na Foz do Amazonas também provoca forte debate ambiental. A área está próxima de ecossistemas considerados sensíveis, e organizações ambientais, comunidades tradicionais e setores técnicos demonstram preocupação com os possíveis impactos de uma atividade petrolífera em águas profundas na região.
A Petrobras afirma que os trabalhos seguem protocolos de segurança e estudos ambientais. A empresa também mantém monitoramento preventivo de áreas ambientalmente sensíveis próximas à costa do Amapá. Entre as exigências ambientais estão estudos sobre a dispersão de óleo e planos para eventual resgate de fauna em caso de acidentes.
O Ibama também analisa pedidos relacionados à continuidade da campanha exploratória. A autorização para novos poços depende do cumprimento das exigências e da apresentação das informações ambientais solicitadas pelo órgão.
UMA NOVA FRONTEIRA PARA A PETROBRAS
A confirmação de petróleo no Morpho é considerada um marco para a exploração da Margem Equatorial brasileira. No entanto, a Petrobras ainda precisa concluir a perfuração, analisar os dados geológicos, estimar o volume recuperável e avaliar a viabilidade econômica e ambiental de uma futura produção.
Por enquanto, o principal resultado é a confirmação de que há petróleo na região. O tamanho da descoberta e seu real potencial econômico deverão ser conhecidos somente após a conclusão dos estudos e das próximas etapas da campanha exploratória.

Rede TV Mais A Notícia da sua cidade!
