Medida foi adotada após a Procuradoria-Geral do Estado barrar acordo entre o Corpo de Bombeiros e o Instituto Rio Metrópole; governador em exercício amplia pente-fino nos contratos e determina revisão de despesas.

Publicado em: 22 de julho de 2026
O Governo do Estado do Rio de Janeiro determinou a realização de uma auditoria completa em todos os contratos firmados pelo Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ), após a identificação de uma proposta de convênio no valor de R$ 25 milhões com o Instituto Rio Metrópole (IRM), entidade que está no centro de investigações por suspeitas de corrupção.
A decisão foi tomada pelo governador em exercício, Ricardo Couto, que determinou uma ampla revisão dos contratos administrativos da corporação e a análise detalhada da utilização dos recursos do Fundo Especial do Corpo de Bombeiros (Funesbom), considerado um dos principais instrumentos de financiamento da instituição.
Convênio foi barrado pela PGE
O acordo previa a destinação de R$ 25 milhões para o desenvolvimento e implantação de um sistema de monitoramento e gestão de riscos voltado à prevenção e resposta a desastres naturais em todo o estado.
Entretanto, antes de sua formalização, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) emitiu parecer contrário ao convênio, impedindo sua assinatura. O órgão apontou a necessidade de reavaliação jurídica da proposta, especialmente diante das investigações que envolvem o Instituto Rio Metrópole.
A decisão evitou que recursos públicos fossem transferidos à entidade antes da conclusão das análises sobre sua regularidade.
Prisão e exoneração
O caso ganhou maior repercussão após a prisão do então presidente do Instituto Rio Metrópole, Davi Perini Vermelho, conhecido como “Didê”, durante operação que apura supostas irregularidades envolvendo contratos públicos.
Logo após a operação, Didê foi exonerado do cargo.
As investigações apontam indícios de possíveis desvios de recursos públicos, favorecimento em contratações e outras irregularidades administrativas, fatos que seguem sendo apurados pelos órgãos competentes.
Pente-fino no Instituto Rio Metrópole
Além da auditoria determinada no Corpo de Bombeiros, o governador em exercício ordenou a ampliação das investigações administrativas dentro do próprio Instituto Rio Metrópole.
Até o momento, 13 servidores e ocupantes de cargos de confiança já foram exonerados, enquanto outras substituições e demissões permanecem em análise.
Segundo fontes do governo, novas exonerações poderão ocorrer nos próximos dias, conforme avancem as auditorias internas e a análise da documentação recolhida durante as investigações.
Revisão de contratos
A determinação do Palácio Guanabara prevê que todos os contratos firmados pelo Corpo de Bombeiros passem por avaliação técnica e jurídica para verificar:
- regularidade dos processos de contratação;
- cumprimento das exigências legais;
- execução financeira dos contratos;
- justificativas técnicas para despesas realizadas;
- existência de possíveis sobrepreços ou irregularidades.
Caso sejam identificadas inconsistências, os contratos poderão ser suspensos, revisados ou até mesmo rescindidos, além da responsabilização administrativa, civil e criminal dos envolvidos, quando cabível.
Governo reforça compromisso com transparência
Em nota, integrantes do governo afirmam que a auditoria integra uma política de fortalecimento dos mecanismos de controle interno e de proteção aos recursos públicos.
A administração estadual sustenta que todas as despesas financiadas com recursos do Funesbom deverão observar rigorosamente os princípios da legalidade, eficiência e transparência, especialmente em projetos de grande impacto financeiro.
A expectativa é de que os primeiros relatórios da auditoria sejam concluídos nas próximas semanas, podendo resultar em novas medidas administrativas e no encaminhamento de informações aos órgãos de controle e investigação, caso sejam constatadas irregularidades.

Rede TV Mais A Notícia da sua cidade!
