Ex-governador, empresários, policiais e desembargador são investigados por suspeitas de fraude fiscal, lavagem de dinheiro e favorecimento ilegal à antiga Refinaria de Manguinhos.

15 de maio de 2026.
A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (15) a Operação Sem Refino, que investiga um suposto esquema bilionário de fraude tributária, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e evasão de divisas ligado ao Grupo Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro.
O principal alvo da investigação é o empresário Ricardo Andrade Magro, apontado pela PF como líder do esquema. O nome dele foi incluído na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo internacional usado para localização e prisão de foragidos em diversos países.
Segundo os investigadores, a Refit operaria como uma espécie de “refinaria fantasma”, simulando processos industriais de refino de combustíveis para obter benefícios fiscais indevidos e reduzir drasticamente o pagamento de impostos sobre combustíveis importados.
A Justiça determinou o bloqueio de cerca de R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas.
COMO FUNCIONARIA O ESQUEMA, SEGUNDO A PF
De acordo com a investigação, o grupo utilizaria empresas, estruturas societárias e movimentações financeiras complexas para:
- ocultar patrimônio;
- lavar dinheiro;
- reduzir ilegalmente tributos;
- enviar recursos ao exterior;
- dificultar a cobrança de dívidas fiscais.
A Receita Federal participou da operação prestando apoio técnico à Polícia Federal.
A investigação é um desdobramento da ADPF 635, processo que apura possíveis conexões entre organizações criminosas e agentes públicos no Rio de Janeiro.
A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

QUEM SÃO OS INVESTIGADOS E QUAL O PAPEL DE CADA UM
Ricardo Andrade Magro
É apontado como o principal articulador do esquema. Segundo a PF, seria o responsável pelo comando empresarial e financeiro das operações suspeitas envolvendo a Refit. A investigação apura fraude fiscal bilionária, lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial e evasão de divisas.
Claudio Bomfim de Castro e Silva
O ex-governador do Rio teve mandado de busca e apreensão cumprido em sua residência, na Barra da Tijuca. A PF investiga possíveis relações entre integrantes do governo estadual e decisões administrativas que teriam beneficiado a refinaria.
Até o momento, não houve denúncia formal contra Castro. A defesa afirma que todos os atos da gestão seguiram critérios técnicos e legais.
Juliano Pasqual
Investigado por suposta participação em decisões tributárias e fiscais relacionadas à refinaria. A PF apura se houve facilitação administrativa para manutenção de benefícios fiscais e negociação de dívidas.
Renato Jordão Bussiere
É investigado por suspeitas de atuação em processos administrativos ligados ao funcionamento da refinaria e possíveis favorecimentos ambientais ou regulatórios.
Renan Saad
A PF apura sua eventual participação em medidas jurídicas e administrativas que poderiam ter favorecido interesses da Refit em disputas tributárias e judiciais.
Adilson Zegur
Investigado por possíveis ações relacionadas à estrutura tributária utilizada pela refinaria para redução de impostos.
Guaraci De Campos Vianna
O magistrado já havia sido afastado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em março. Segundo a Corregedoria, mesmo após uma decisão do Superior Tribunal de Justiça suspendendo o processo de recuperação judicial da Refinaria de Manguinhos, ele teria mantido medidas favoráveis à empresa.
A suspeita é de que decisões judiciais tenham beneficiado ilegalmente a refinaria.
Núcleo empresarial investigado
Também são alvos da operação:
- Jonathas Assunção Salvador Nery De Castro
- Roberto Fernandes Dima
- Jose Eduardo Lopes Teixeira Filho
- Álvaro Barcha Cardoso
Segundo a PF, Álvaro Barcha Cardoso seria um dos principais operadores e intermediários das negociações investigadas.
POLICIAIS TAMBÉM SÃO INVESTIGADOS
Dois escrivães da Polícia Federal aparecem entre os alvos:
- Márcio Cordeiro Gonçalves
- Márcio Pereira Pinto
Além deles, o policial civil:
- Maxwell Moraes Fernandes
Segundo a investigação, os agentes são suspeitos de possível participação em favorecimentos, vazamentos de informações ou apoio operacional ao esquema investigado. A Polícia Federal ainda não detalhou individualmente as condutas atribuídas a cada um.
A Polícia Civil informou, em nota, que a Corregedoria da corporação presta apoio às investigações conduzidas pela PF.
O QUE DIZ A DEFESA DE CLAUDIO CASTRO
A defesa do ex-governador afirmou ter sido surpreendida pela operação e declarou que Claudio Castro está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos.
Segundo a nota, todos os atos praticados durante sua gestão obedeceram critérios técnicos e legais previstos na legislação.
A defesa também afirmou que a gestão Castro foi a única a conseguir que a Refinaria de Manguinhos realizasse pagamentos de dívidas com o Estado, somando cerca de R$ 1 bilhão.
Ainda segundo a defesa, a Procuradoria-Geral do Estado moveu diversas ações contra a empresa para cobrança de débitos tributários.
O QUE DIZ A REFIT
O Grupo Refit negou irregularidades.
A empresa afirmou que as disputas tributárias estão sendo discutidas judicialmente e declarou que herdou dívidas de administrações anteriores.
Segundo a companhia, aproximadamente R$ 1 bilhão em tributos foram pagos ao Estado do Rio no último ano.
A empresa também negou qualquer ligação com organizações criminosas e afirmou que nunca fraudou declarações fiscais.

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