PGR denuncia Bacellar, TH Joias, desembargador e mais dois por obstrução de investigação ligada ao CV

O STF vai decidir se aceita ou não a denúncia. Caso isso ocorra, os investigados passam à condição de réus.

Publicado em 16 de março de 2026

A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o deputado estadual licenciado e presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, o ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto e outras duas pessoas por suposta obstrução de investigação ligada à facção criminosa Comando Vermelho (CV).

A denúncia foi apresentada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, e se baseia em investigações da Polícia Federal que apontam um esquema de vazamento de informações sigilosas sobre operações policiais voltadas ao combate ao crime organizado no Rio de Janeiro.

Além de Bacellar e TH Joias, também foram denunciados Jéssica de Oliveira Santos e Thárcio Nascimento Salgado, apontados como participantes das ações que teriam dificultado o andamento das investigações.

Vazamento de informações sigilosas

Segundo a PGR, o desembargador Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), teria violado o sigilo funcional ao repassar informações reservadas sobre operações policiais que seriam realizadas contra integrantes do Comando Vermelho.

De acordo com a acusação, o magistrado teria informado antecipadamente Rodrigo Bacellar, considerado próximo de TH Joias, sobre medidas judiciais e diligências que seriam cumpridas em uma operação da Polícia Federal.

Após receber as informações, Bacellar teria alertado TH Joias sobre a ação policial iminente, permitindo que o então deputado se preparasse antes das buscas.

Destruição de provas

A investigação aponta que, depois de ser avisado sobre a operação, TH Joias teria tomado medidas para dificultar o trabalho dos investigadores.

Entre as ações relatadas na denúncia estão:

  • troca de telefone celular para evitar monitoramento;

  • retirada de equipamentos eletrônicos e documentos de seu gabinete na Alerj;

  • esvaziamento de sua residência antes da chegada da Polícia Federal.

Segundo a PGR, essas condutas prejudicaram a coleta de provas e caracterizam o crime de obstrução de investigação envolvendo organização criminosa armada.

Operação Zargun

A denúncia está relacionada à Operação Zargun, deflagrada em setembro de 2025 para desarticular um esquema de tráfico internacional de armas e drogas e lavagem de dinheiro ligado ao Comando Vermelho.

TH Joias era um dos principais alvos da investigação e chegou a ser preso no âmbito da operação. O caso tramita no Supremo Tribunal Federal sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

Situação dos investigados

De acordo com o inquérito, o desembargador Macário Ramos Júdice Neto e TH Joias já estão presos preventivamente por determinação do STF. Bacellar, por sua vez, chegou a ser preso em dezembro de 2025, mas foi solto após decisão da Alerj e atualmente está licenciado do mandato e utiliza tornozeleira eletrônica.

Agora caberá ao Supremo analisar a denúncia apresentada pela PGR. Caso a acusação seja aceita, os investigados passarão à condição de réus e responderão a processo criminal na Corte.

Defesas

Em nota, as defesas de Bacellar e do desembargador afirmaram que receberam a denúncia com surpresa e negaram irregularidades, alegando que as acusações seriam baseadas em interpretações equivocadas dos fatos.

Além disso, verifique

Prepara Jovem inicia novo ciclo em Magé e reforça acesso ao ensino superior

 O encontro aconteceu na Escola Municipal Professora Geralda Izaura Ferreira Telles, em Piabetá. Publicado em …

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *