Assassinato de diretora e psicóloga dentro de instituição federal expõe vulnerabilidade feminina e reacende debate sobre feminicídio e segurança no ambiente de trabalho.

O assassinato de duas mulheres dentro do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet), no Maracanã, Zona Norte do Rio, na tarde desta sexta-feira (28), volta a colocar em evidência a crescente violência letal contra mulheres no estado. O crime chocou servidores, estudantes e especialistas em segurança, não apenas pela brutalidade, mas também pelo fato de ter ocorrido em um ambiente educacional público e de alta circulação.
Segundo a Polícia Civil, as vítimas são Allane de Souza Pedrotti Mattos, diretora da Divisão de Acompanhamento e Desenvolvimento de Ensino (DIACE), e Layse Costa Pinheiro, psicóloga da instituição. Ambas foram assassinadas por Jão Antônio Miranda Tello Gonçalves, ex-servidor do Cefet, que, de acordo com policiais militares que estavam no local, tirou a própria vida após cometer os homicídios. A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) conduz as investigações.

Violência contra mulheres em alta no estado
O duplo homicídio reacende um alerta já emitido por pesquisas recentes: o Rio de Janeiro vive uma preocupação crescente com crimes contra mulheres, em especial feminicídios e violência praticada por homens com vínculos anteriores de trabalho, convivência ou relação hierárquica.
Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) apontam que, só no primeiro semestre de 2024, o estado registrou um aumento expressivo nos casos de violência letal contra mulheres, muitos deles em ambientes privados ou profissionais. Especialistas alertam que ataques como o ocorrido no Cefet demonstram a necessidade de políticas públicas específicas para prevenção, mediação de conflitos, acolhimento psicológico e mecanismos de proteção no serviço público.
Crime dentro de instituição pública evidencia falhas de segurança
O fato de o agressor ser um ex-funcionário levanta questionamentos sobre protocolos de acesso e monitoramento interno. Servidores relatam que a presença de ex-colaboradores é comum, mas raramente ocorre controle rígido de circulação.
Organizações que acompanham a violência de gênero destacam que ambientes de trabalho devem possuir canais de denúncia, equipes estruturadas de mediação e protocolos de segurança voltados a proteger sobretudo mulheres — grupo mais vulnerável em ataques planejados e motivados por conflitos pessoais ou profissionais.

Vítimas eram referências em suas áreas
Allane Mattos e Layse Pinheiro eram profissionais reconhecidas dentro da instituição. A diretora da DIACE atuava diretamente na gestão pedagógica e no acompanhamento do corpo discente, enquanto Layse trabalhava no apoio psicológico aos estudantes. Ambas tinham forte presença na comunidade acadêmica e eram consideradas indispensáveis para o funcionamento do campus.
O Cefet declarou luto oficial e suspendeu as atividades.
DHC investiga motivação, histórico e circunstâncias
A Polícia Civil ainda apura a motivação do ex-funcionário, mas fontes ligadas ao caso afirmam que ele teria apresentado histórico de conflitos internos durante o período em que trabalhou na instituição. A DHC está analisando câmeras de segurança, depoimentos de testemunhas e elementos pessoais e psicológicos que possam explicar o ataque.
Tragedia reforça urgência de políticas de proteção à mulher
Especialistas apontam que o caso se soma a uma série de episódios recentes no estado, que incluem feminicídios, homicídios em ambientes domésticos e ataques contra profissionais mulheres no exercício de suas funções. A violência de gênero segue como um dos maiores desafios da segurança pública no Rio.
O duplo homicídio no Cefet — cometido por um homem armado, motivado por questões ainda não esclarecidas e com as vítimas exercendo funções de liderança e acolhimento — é mais um alerta de que a violência contra mulheres ultrapassa os espaços privados e hoje alcança ambientes que deveriam ser seguros, como escolas, universidades e repartições públicas.

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