PT DO RIO EM GUERRA: BRIGA ENTRE QUAQUÁ E LINDBERGH ESCANCARA DIVISÃO NO PARTIDO

Em troca de farpas nas redes sociais, Washington Quaquá acusa Lindbergh Farias, Gleisi Hoffmann e André Ceciliano de usar “máquina federal” para eleição.

O Partido dos Trabalhadores do Rio de Janeiro (PT-RJ) vive um de seus momentos mais turbulentos desde a redemocratização. Uma troca pública de acusações entre dois de seus principais dirigentes, o deputado federal Washington Quaquá e o ex-senador Lindbergh Farias, desencadeou uma crise que atinge diretamente o núcleo de comando nacional da legenda, envolvendo nomes de peso como Gleisi Hoffmann (presidente nacional do partido) e André Ceciliano, secretário especial de Assuntos Federativos do governo Lula.

A disputa, que começou nos bastidores, ganhou força nas redes sociais, onde Quaquá acusou Lindbergh e Ceciliano de “usar a máquina federal” para influenciar as decisões partidárias e garantir candidaturas em 2026. “O PT do Rio não é feudo de ninguém. O partido precisa de renovação, não de conchavos”, escreveu Quaquá, em uma publicação que rapidamente viralizou.

Lindbergh respondeu em tom duro, afirmando que o colega “faz o jogo da direita” e tenta enfraquecer o partido por ambições pessoais. O ex-senador, que articula sua própria candidatura ao Senado, acusou Quaquá de “fomentar divisões” em um momento em que o PT deveria “unir forças para enfrentar a extrema direita nas urnas”.

Fontes ligadas ao diretório estadual afirmam que o estopim da crise é justamente a disputa pela vaga ao Senado na chapa majoritária do Rio em 2026. Lindbergh, aliado de Ceciliano e próximo de Gleisi Hoffmann, quer o apoio da direção nacional. Já Quaquá, vice-presidente nacional do PT, defende uma candidatura alternativa e acusa o grupo adversário de aparelhar o partido com cargos e verbas federais.

Nos bastidores do Palácio do Planalto, o embate preocupa aliados de Lula, que veem no episódio um risco real à coesão do PT no segundo maior colégio eleitoral do país. O próprio presidente, segundo interlocutores, já teria pedido “moderação” às lideranças fluminenses, tentando evitar que a briga prejudique o desempenho da legenda nas eleições municipais de 2026.

Analistas políticos avaliam que a ruptura interna pode ter efeitos duradouros. “O PT do Rio sempre teve uma convivência difícil entre suas alas  uma mais ligada aos movimentos sociais e outra mais institucional. Essa briga é o retrato de uma disputa antiga, que agora ganhou novo fôlego com o cenário eleitoral”, afirma o cientista político Ricardo Ismael, da PUC-Rio.

Enquanto o diretório tenta apagar o incêndio, a direção nacional do partido ainda não anunciou se tomará medidas disciplinares ou se tentará uma reconciliação entre as correntes rivais. Por ora, o que se vê é um PT fluminense fragmentado, onde as redes sociais substituíram as plenárias e as brigas internas passaram a dominar o debate político.

 

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