Falta de policiamento na região provoca insegurança nos usuários da via.

O gaúcho Fernando Belufo, de 32 anos, tem uma estratégia para cruzar o Arco Metropolitano, que cobre mais de 70km da Baixada Fluminense, entre os municípios de Duque de Caxias e Seropédica: nunca pega a pista à noite ou de madrugada, muito menos sozinho. Mesmo com a presença dos agentes da Força Nacional, que estão reforçando o patrulhamento da via desde meados de outubro, motoristas dizem não se sentir seguros na estrada. No dia 12 de dezembro, uma terça-feira, por volta das 19h, o mototaxista Marcelo Dias Eduardo, de 22 anos, foi assassinado durante assalto, ao passar pelo trecho entre Engenheiro Pedreira e Queimados.
Melhorou só um pouco. Ainda ouço relatos de quem trabalha à noite que está muito perigoso. Depois que passa de Japeri, é um breu. Tenho um filho para criar e fico com medo — afirma Belufo.
O patrulhamento da via é de responsabilidade da Polícia Rodoviária Federal, que finaliza a construção de um posto na altura de Japeri. Ali havia só um operário dando retoques na pintura. Uma viatura estava vazia.
Desde meados de outubro, o policiamento recebeu o reforço dos agentes da Força Nacional. A atuação foi autorizada por meio de um decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que vigora até 3 de maio de 2024.
Em meados do ano, a EcoRioMinas, responsável pela operação da via, anunciou a retirada do que restou dos 4.310 modernos postes de aço com placas de energia solar acopladas a lâmpadas de LED, que iluminavam o arco. Os equipamentos, que custaram R$ 97,7 milhões (cerca de R$ 160 milhões em valores atuais), vinham sendo alvos de ladrões, para furto das baterias, desde a inauguração, em 2014.
A concessionária estuda um outro sistema de iluminação, mas continua sem prazo. No trecho da Baixada, só há postes de luz em dois pontos: próximo à praça de pedágio, em Itaguaí, e perto de base operacional da concessionária, na altura de Caxias.
Rotina de medo
Apesar de alguns motoristas citarem que a situação já foi pior, apesar de ainda haver “uns assaltos”, como relatou Renato Farias, de 41 anos, a percepção de parentes do mototaxista morto na via é de que nada mudou, mesmo com as viaturas policiais. Eles lembram que bandidos fazem barreiras no asfalto para forçar a parada de veículos, como aconteceu a Marcelo, que teve moto, carteira, celular e outros pertences levados, incluindo o par de tênis que calçava.
Ele voltava do trabalho e era esperado para o jantar pela família, que estranhou sua demora. O jovem era supervisor de limpeza urbana numa empresa que presta serviços para a prefeitura de Caxias. À noite, fazia bico como mototaxista para juntar dinheiro para o casamento, que estava marcado para 2024. Ele e a noiva se conheceram há três anos, numa festa da escola onde estudavam.

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