ALÉM DO DESMATAMENTO FLORESTA AMAZÔNIA SOFRE OUTRAS FORMAS DE DEGRADAÇÃO

Foram consideradas em situação de atenção 19 cidades, 41 em alerta e duas em estágio de emergência o mais grave.

Mais de um terço da Floresta Amazônica já é afetada pela seca, por incêndios, pela extração de madeira e pelos chamados efeitos de borda, segundo estudo publicado nesta quinta-feira na revista científica Science. Vários dos autores da publicação são brasileiros.

Em outubro de 2022, o governo do Amazonas declarou que todos os 62 municípios do Estado estavam sofrendo por uma seca que deixou rios, como o famoso Solimões, repleto de bancos de areia, e a população com dificuldade para navegar e para acessar água potável.

Naquele momento, 19 cidades foram consideradas em situação de atenção, 41 em alerta e duas em estágio de emergência  o mais grave.

O exemplo recente, vindo de um dos Estados brasileiros que fazem parte da Amazônia Legal, mostra que as ameaças que rondam a floresta vão muito além do desmatamento.

Esse é o alerta de um estudo publicado  na revista científica Science, uma das mais importantes do mundo: outras formas de degradação que têm interferência do homem já destroem boa parte da floresta e devem ser, em 2050, uma das principais fontes de emissão de carbono, independente do aumento ou da diminuição do desmatamento.

O estudo estima que 38% da Floresta Amazônica é hoje afetada por algum tipo de degradação:

os incêndios;
a seca (intensificada pelas mudanças climáticas);
a extração seletiva de madeira (legal ou ilegal; “seletiva” porque são retiradas algumas árvores que são interessantes comercialmente, deixando outras em pé);
e os chamados efeitos de borda (mudanças nas florestas próximas a áreas desmatadas, portanto uma consequência direta do desmatamento).

“A área degradada na Amazônia e as emissões de carbono de degradação são iguais ou até maiores do que as de desmatamento”, afirma à BBC News Brasil o líder do estudo, David Lapola, pesquisador do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e doutor pela Universidade de Kassel, na Alemanha.

A pesquisa na Science considerou a área da Amazônia tanto no Brasil quanto em países vizinhos e teve como base estudos anteriores e imagens de satélite. O período analisado vai de 2001 a 2018.

Com autoria de 35 pesquisadores brasileiros e estrangeiros, o estudo diferencia o desmatamento e a degradação. Enquanto, no primeiro, a floresta sofre grande alterações para dar lugar a um novo uso  por exemplo, uma área que é queimada para virar pasto , a degradação se diferencia por envolver alterações mais contidas na cobertura florestal e por não ter o objetivo de transformar o uso daquela terra.

Na produção científica, está outra diferença: segundo os autores, o desmatamento tem recebido muito mais atenção do que a degradação.

“Na Floresta Amazônica, a extensão e os efeitos de longo prazo de tais distúrbios antropogênicos [a degradação] no ciclo terrestre do carbono terrestre, no funcionamento dos ecossistemas e nos meios de sobrevivência das populações locais estão começando a ser compreendidos e diferenciados dos impactos do desmatamento”, diz um trecho do estudo, que tem também a participação, além da Unicamp, de pesquisadores do Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia (Ipam) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Além disso, verifique

Assassinato político ou crime comum? Audiência do caso Silmar Braga marca avanço do processo em Magé

Primeira audiência de instrução acontece nesta quarta-feira (10) e deve definir os próximos passos do …

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *