Acordo com Washington Reis reforça imagem camaleônica do prefeito, amplia ruído com o PT e embaralha o jogo em Magé.

Publicado em: 21 de fevereiro de 2026
A semana mal terminou e o xadrez político do estado do Rio de Janeiro já indica como poderá ser conduzido o pleito de 2026. Em poucos dias, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), protagonizou movimentos que expõem uma estratégia considerada por críticos como fisiológica e marcada por conveniências eleitorais.
Após cumprir agenda em Magé ao lado do prefeito Renato Cozzolino, em busca de apoio para sua pré-candidatura ao governo estadual, Paes surpreendeu ao consolidar acordo com Washington Reis (MDB), anunciando a escolha de Jane Reis como vice-governadora em sua futura chapa.
O gesto, articulado em questão de horas, foi interpretado como um movimento pragmático — ou fisiológico, na avaliação de adversários — que amplia o arco de alianças, mas também tensiona sua relação com setores da esquerda.

É preciso estar atento e forte
A decisão de Eduardo Paes ocorre em meio a desconfianças do Partido dos Trabalhadores. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria cogitado lançar candidatura própria no estado diante de sinais de aproximação do prefeito com grupos de centro-direita. Após diálogo direto e promessa de fidelidade política, o recuo petista sinalizou uma trégua.
Entretanto, a aproximação simultânea com lideranças de espectros distintos reacendeu críticas. A ida a Magé para tratar de possível coalizão com Renato Cozzolino, somada à filiação do deputado Vinicius Cozzolino ao PSD, indicava um alinhamento estratégico regional.
O acordo com Washington Reis, contudo, mudou o eixo da narrativa. Para opositores, trata-se de mais um capítulo do que classificam como “coerência seletiva”: a capacidade de transitar entre campos ideológicos distintos conforme a conveniência eleitoral. A pecha de “camaleão político” volta ao debate público fluminense, reforçando a leitura de que o prefeito do Rio prioriza a viabilidade eleitoral sobre compromissos programáticos rígidos.

De olho no futuro
A indicação de Jane Reis para a vice-governança extrapola o simbolismo da aliança. O movimento fortalece o grupo político de Washington Reis e projeta a vereadora Jane Pereira (MDB) no cenário de sucessão municipal em Magé, com respaldo da estrutura partidária.
A engenharia política amplia o peso do MDB na composição estadual e altera o equilíbrio de forças na “Linda Magé”. A articulação não apenas fortalece uma aliança estratégica, mas também reconfigura o cenário local, antecipando disputas que ultrapassam 2026.

O jogo só começou
Diante desse cenário, o Democracia Cristã (DC), partido do prefeito Renato Cozzolino, encontra-se em encruzilhada estratégica.
Entre as possibilidades ventiladas estão o apoio a Anthony Garotinho, a construção de candidatura própria liderada por Renato Cozzolino ou até mesmo para muitos a pior aposta, Wilson Witzel, atualmente sem partido.
A indefinição do Democracia Cristã revela o impacto direto da decisão de Eduardo Paes. Ao aceitar o apoio de Washington Reis em troca da composição da vice-governança, o prefeito redesenha alianças, mas também provoca reações imprevisíveis.
No tabuleiro fluminense, a ciência política se move entre pragmatismo e ideologia. E, ao que tudo indica, o jogo de 2026 apenas começou.

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