Aiatolá Alireza Arafi assume interinamente enquanto Assembleia dos Peritos inicia processo para escolha do novo líder supremo.

Publicado em 01/03/2026
O Irã anunciou neste domingo a nomeação do aiatolá Alireza Arafi como membro jurista do Conselho de Liderança interino, órgão designado para governar provisoriamente o país após a morte do líder supremo Ali Khamenei. A escolha ocorre em meio a uma profunda crise política e militar que tem provocado reverberações em toda a região.
Segundo a constituição iraniana, no caso de falecimento do líder supremo cargo máximo do país uma junta provisória assume suas funções até que a Assembleia dos Peritos eleja um sucessor definitivo. O conselho interino é formado por três figuras-chave: o presidente Masoud Pezeshkian, o chefe do Judiciário Gholamhossein Mohseni Ejei e, agora, o aiatolá Alireza Arafi, um influente clérigo e membro do poderoso Conselho dos Guardiães.
Arafi, que integra o establishment religioso iraniano, foi escolhido para representar o componente clerical e conduzir as obrigações do líder supremo até a nomeação de um sucessor. O processo de escolha final ficará a cargo da Assembleia dos Peritos, um corpo de 88 clérigos responsável por eleger o novo líder um processo que segue fora da esfera pública e deve durar ainda várias semanas.
Cenário de Escalada Militar
A transição ocorre em meio a uma escalada dramática das tensões entre o Irã, os Estados Unidos e Israel. Na madrugada do último sábado, forças americanas e israelenses lançaram uma ofensiva que atingiu alvos estratégicos em Teerã, incluindo instalações militares e centros decisórios do governo iraniano. Fontes internacionais e estatísticas oficias apontam que a operação deixou centenas de mortos, incluídos civis, e desencadeou uma onda de retaliações do Irã contra bases militares norte-americanas na região do Golfo e posições israelenses.
Autoridades iranianas de alto escalão, incluindo o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, prometeram respostas firmes aos responsáveis pelo ataque e qualificaram a ofensiva como um ato de agressão que, na visão de Teerã, ultrapassou “todas as linhas vermelhas”.
Reações Internas e Protestos
A morte de Khamenei e a crise de liderança também acendem tensões internas no Irã. Nos últimos meses, o país enfrentou protestos expressivos contra o regime — que se intensificaram com dificuldades econômicas e repressões de direitos civis — e que agora podem ganhar novo impulso diante da percepção de uma guerra externa e incerteza política. Grupos de oposição e setores da sociedade civil observam com cautela o processo de transição, receosos de que o poder permaneça concentrado nas mesmas estruturas conservadoras.
Implicações Regionais e Globais
Analistas apontam que a formação do Conselho de Liderança e a nomeação de Arafi como integrante do corpo provisório marcam uma tentativa de Teerã de manter a continuidade institucional em meio ao turbilhão externo. No entanto, as tensões com os EUA e Israel, combinadas com choques internos, colocam o Irã em um momento de elevada vulnerabilidade política, militar e social, com reflexos que podem reconfigurar alianças e dinâmicas de poder no Oriente Médio.

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