O PM pediu para prestar depoimento sem a presença do réu na sala de audiência.
Um policial militar denunciou à Justiça que foi ameaçado por colegas de farda após prender, em flagrante, um miliciano na Praça Seca, Zona Oeste do Rio. Em depoimento prestado na 2ª Vara Criminal do Fórum de Jacarepaguá em agosto de 2018, o PM disse que “sofreu pressão de alguns de seus colegas de farda, que não são ‘apenas policiais’” por ter prendido o miliciano Wagner Evaristo da Silva Junior, o Junior Play, um dos chefes do grupo paramilitar que domina a favela Bateau Mouche, seis meses antes.
O PM pediu para prestar depoimento sem a presença do réu na sala de audiência. Em seu relato, o agente disse que sua vida “acabou depois da prisão”, afirmou que pediu para ser transferido de batalhão após a ocorrência e que teve que se mudar com a família porque foi alertado por policiais que seria feita uma “judiaria” com ele.
Ele afirmou que “se soubesse que o réu Wagner era o chefe da milícia, não se envolveria na ocorrência”, disse que foi ameaçado de morte pelo miliciano, que teria pedido para o agente “não botar carga” em seu depoimento. Por fim, disse que informou à PM sobre as ameaças e pediu arma e colete à corporação. De acordo com o relato, nenhum dos pleitos foi atendido.

A prisão do miliciano aconteceu em 4 de fevereiro de 2018 na frente de um restaurante na Rua Cândido Benício. Na ocasião, o policial era lotado no 18º BPM (Jacarepaguá) e estava de serviço quando foi alertado que havia milicianos extorquindo quentinhas do estabelecimento.
No local, encontrou Wagner, armado com uma pistola, colocando as refeições num carro. Dentro do veículo, o agente apreendeu um carregador de fuzil, 37 munições ponto 40, duas munições 5.56, duas munições 7.62 e R$ 6.700. No momento da prisão, Wagner já teria ameaçado o PM: “Olha o que você está fazendo, você tem família”, teria dito o miliciano.
Juiz determina ação da PM
Após ouvir o depoimento do PM, o juiz Aylton Cardoso Vasconcellos determinou que a PM tomasse providências “com relação a preservação da integridade física do policial, a fim de que ele seja lotado em unidade de maior conveniência, dentro das possibilidades da Polícia Militar, bem como seja analisado o requerido pelo policial em seu depoimento em juízo acerca de fornecimento de colete, armamento e possível segurança”. Procurada, a PM apenas alegou que o agente “foi transferido e não atua mais no 18º BPM”.
Quando depôs em juízo, o miliciano negou que estivesse extorquindo quentinhas: disse que havia comprado o alimento para a família. Ele disse que não estava armado e que a prisão “foi forjada”. Alegou, ainda, que não ameaçou o policial no momento da prisão, “apenas falou que ele tinha família e que o policial estava muito nervoso, transtornado”.
Graças ao depoimento do PM, o miliciano foi condenado a 11 anos de prisão pelos crimes de constituição de milícia privada e porte ilegal de arma de fogo. Wagner recorreu da decisão.
Fonte: Jornal Extra
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