Lixões clandestinos sob domínio do Comando Vermelho expõem falhas ambientais em Duque de Caxias

Operação da Polícia Civil revela esquema de descarte ilegal em manguezais e levanta questionamentos sobre fiscalização e atuação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

13 de março de 2026

A cidade de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, foi alvo de uma operação da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro na manhã desta sexta-feira (13) contra lixões clandestinos explorados pela facção criminosa Comando Vermelho. A ação resultou, até o momento, na prisão em flagrante de pelo menos duas pessoas por crimes ambientais.

A investigação conduzida pela Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) identificou que áreas de descarte irregular de resíduos funcionavam em territórios sob domínio de traficantes. Segundo os investigadores, caminhões eram autorizados a despejar lixo mediante o pagamento de uma taxa de aproximadamente R$ 25 por carga.

Os resíduos eram despejados principalmente em áreas abertas e manguezais, ecossistemas considerados essenciais para o equilíbrio ambiental da Baía de Guanabara. A prática, além de ilegal, representa grave risco ambiental, já que esses ambientes atuam como berçários naturais de diversas espécies e ajudam na filtragem de poluentes.

Ao todo, 86 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Duque de Caxias e também em endereços localizados na capital fluminense e nos municípios de Magé, Belford Roxo, Mesquita, São João de Meriti, São Gonçalo, Paracambi, Seropédica, Resende, Paty do Alferes e também em São Lourenço.

Foto: W.Reis, ex-prefeito e Netinho Reis atual mandatário da cidade 

Falhas de fiscalização e atuação municipal

As descobertas da investigação também colocam em evidência a fragilidade da fiscalização ambiental no município. Especialistas apontam que a expansão de lixões clandestinos em áreas sensíveis indica falhas na atuação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e na aplicação de políticas públicas voltadas à preservação ambiental.

Mesmo com legislação que prevê punições severas para crimes ambientais, o avanço do descarte irregular de resíduos em regiões de mangue sugere um cenário de fiscalização insuficiente e possível relaxamento na aplicação das normas ambientais.

Além do impacto ambiental, a presença de grupos criminosos explorando economicamente o descarte ilegal evidencia a ocupação de espaços que deveriam estar sob controle do poder público.

Vale ressaltar que em se tratando de crimes ambientais, parece que a cidade de Duque de Caxias não dá muita importância aos fatos, visto que o ex-prefeito e cacique do MDB, já condenado por crimes ambiental, inelegível pelo mesmo motivo, e seu sobrinho, atual prefeito, não priorizam as leis em vigor.

Investigações continuam

De acordo com a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, a operação segue em andamento e novas diligências devem ocorrer para identificar todos os envolvidos no esquema.

Os investigadores buscam mapear a cadeia de participação no crime, que inclui desde operadores dos lixões clandestinos até responsáveis pelo transporte e descarte irregular de resíduos.

A expectativa das autoridades é que o avanço das investigações ajude a interromper a prática criminosa e a reduzir os danos ambientais provocados nas áreas atingidas, além de responsabilizar todos os envolvidos no esquema.

A polícia afirma que a supressão de vegetação em uma das áreas investigadas avança em direção às margens do Rio Sarapuí, que deságua na Baía de Guanabara.

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