Medida entra em vigor em 1º de janeiro, impõe cotas às exportações e levanta debate: haverá mais carne no mercado interno e preços mais baixos para o consumidor brasileiro.

A China anunciou a imposição de uma tarifa de 55% sobre a carne bovina importada do Brasil, medida que passa a valer a partir de 1º de janeiro e que prevê a criação de cotas anuais para limitar as compras externas. A decisão, divulgada pelo Ministério do Comércio chinês, tem como objetivo declarado proteger produtores locais, diante do crescimento acelerado das importações nos últimos anos.
Segundo o governo chinês, remessas que ultrapassarem os limites estabelecidos estarão sujeitas à tarifa punitiva. As cotas totais de importação serão ampliadas gradualmente: 2,69 milhões de toneladas em 2026, 2,74 milhões em 2027 e 2,8 milhões em 2028. Os principais fornecedores — Brasil, Argentina, Uruguai e Nova Zelândia — terão volumes proporcionais à sua participação histórica no mercado chinês. Países com menor presença, como Mongólia, Coreia do Sul e Tailândia, ficarão isentos.
PRESSÃO INTERNA NA CHINA E QUEDA DE PREÇOS
O movimento ocorre após uma forte expansão das importações chinesas de carne bovina, impulsionada pelo aumento da renda da população. Paralelamente, o próprio governo chinês estimulou a expansão da produção doméstica, o que gerou excesso de oferta em um momento de desaceleração do consumo.
O resultado foi uma pressão direta sobre os produtores locais: os preços no atacado caíram para o menor nível desde 2019, e os estoques se acumularam nos frigoríficos chineses. Diante desse cenário, Pequim optou por restringir o fluxo externo.

IMPACTO PARA O BRASIL
O Brasil, maior exportador mundial de carne bovina e principal fornecedor da China, pode sentir os efeitos de forma significativa. A restrição tende a reduzir o ritmo das exportações, especialmente caso as cotas sejam rapidamente preenchidas.
Especialistas do setor avaliam que parte da produção que deixará de ser enviada ao mercado asiático poderá pressionar o mercado interno, elevando a oferta no Brasil. Isso reacende uma pergunta recorrente entre consumidores e analistas econômicos:

TEREMOS MAIS CARNE NA MESA DO BRASILEIRO?
Em tese, maior oferta interna pode resultar em preços mais baixos nos açougues e supermercados. No entanto, o cenário não é automático. O valor final da carne depende de uma série de fatores, como custos de produção, logística, margens do varejo e política de preços dos frigoríficos.
Além disso, o setor exportador pode buscar novos mercados internacionais para compensar eventuais perdas na China, o que reduziria o impacto direto sobre os preços internos.

DISPUTA POLÍTICA E NARRATIVA
A notícia, publicada pelo jornal O Globo em 31 de dezembro de 2025, também entra no debate político. Aliados do governo veem a repercussão como mais uma investida crítica das Organizações Globo, enquanto opositores apontam riscos à balança comercial e à credibilidade do Brasil como fornecedor global.
Independentemente do viés político, o fato é que a decisão chinesa impõe um novo desafio ao agronegócio brasileiro e coloca em evidência um tema sensível à população: o preço da comida no prato.
Nos próximos meses, o mercado dirá se a tarifa chinesa será apenas um ajuste comercial ou se, de fato, trará algum alívio ao bolso do consumidor brasileiro — desde que esse alívio seja, como muitos cobram, justificável e duradouro.

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