IMPEACHMENT DILMA ROUSSEFF. O segundo impeachment da democracia

Brasileiros à beira de um ataque de nervos.

Fora Cunha

Deputados iniciam sessão de votação de três dias sobre afastamento de Dilma Rousseff que só termina na noite de domingo. Há apenas 24 anos, o país se mobilizava em torno do primeiro impedimento da Nova República.

Com Collor e Dilma, a debandada de apoio na reta final do processo é igual

Collor

Milhões de brasileiros acima dos 30 anos ainda guardam as memórias da última vez que o Brasil encarou um processo de impeachment. Foi em 1992, com o ex-presidente Fernando Collor de Mello, hoje senador pelo PTB de Alagoas, o que leva a um paralelo entre os dois processos de destituição. Embora os contextos sejam diferentes – a queda de Collor era praticamente unanimidade, havia indícios de crimes cometidos por ele – a reta final dos dois processos apresenta várias semelhanças.

Dilma está sofrendo a mesma debandada de apoio parlamentar que Collor viveu a poucos dias da votação aberta no plenário da Câmara. Isso, apesar dos esforços dos correligionários de ambos em assegurar os votos necessários para barrar o impeachment, com oferta de cargos e verba para emendas parlamentares.

Collor X Dilma

O início do fim da carreira de Fernando Collor presidente foi uma denúncia feita por seu irmão, Pedro Color de Mello, enredando o presidente e seu tesoureiro, Paulo César Faria, assassinado em 1996, em um esquema de corrupção e cobrança de propinas no Governo. Foi criada uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso para investigar o caso, e descobriu-se uma rede de empresas de fachada em nome de Faria que eram usadas para pagar despesas de Collor. O relatório final apontou fortes indícios de crimes como corrupção passiva e formação de quadrilha em seu Governo.

Já no caso da petista, as acusações são de ordem fiscal: ela teria autorizado a emissão de decretos de suplementação orçamentária em 2015 quando o Governo já sabia que não teria dinheiro em caixa – as chamadas pedaladas. Até o momento no entanto, Dilma não é investigada formalmente em nenhum processo e não se descobriu nada que desabone sua conduta pessoal.

Renúncia

Prestes a perder guerra do impeachment, Governo Dilma negocia votos um a um

O Governo resiste em jogar a toalha. Questionada por jornalistas sobre o processo nesta quarta-feira, Dilma tentou manter as esperanças: “Digo qual é o meu primeiro ato pós-votação na Câmara [em caso de vitória]: a proposta de um pacto, de uma nova repactuação entre todas as forças políticas, sem vencidos e sem vencedores. Seja pós-Câmara, mas também pós-Senado, sobretudo. No pós-Senado, é que isso será mais efetivo”. A presidenta admitiu, contudo: “se eu perder, sou carta fora do baralho”. Ela convocou dez jornalistas para uma coletiva na manhã desta quarta, onde reafirmou que seu vice-presidente, Michel Temer, e o presidente da Câmara,Eduardo Cunha, trabalham em sociedade pelo golpe. “Chefe e vice-chefe do golpe”, afirmou ela, segundo o portal UOL que participou da entrevista.

De acordo com o relato dos jornalistas presentes, a presidenta transmitiu tranquilidade, e apesar das baixas no Governo, avaliou que é natural viver uma “guerra psicológica” na reta final deste processo.

O clima de que uma derrota se aproxima para a petista é tamanho que as estimativas de deputados favoráveis ao impedimento registram adesões dia a dia e se aproximam do mínimo necessários de 342 votos. Por outro lado, a lista de contrários permanece orbitando em torno de 120 votos. Para interromper o processo na Câmara, o Governo precisa de 172 deputados votando ao seu favor, se abstendo ou se ausentando. A guerra dos placares já chegou até aos votos para a sequência do processo no Senado. De acordo com contagem do jornal O Estado de S.Paulo, 42 dos 81 senadores já se posicionaram a favor do impedimento de Dilma. Apenas 17 disseram ser contra o processo.

Historiador

Murilo de Carvalho: “A ‘política do ódio’ se generalizou. Não há inocentes”

Um dos principais historiadores do Brasil, o também cientista político José Murilo de Carvalho, 77 anos, vê com preocupação o futuro próximo do país, independentemente do desfecho do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Membro da Academia Brasileira de Letras e autor de livros como ‘Os Bestializados. O Rio de Janeiro e a República que Não Foi’ (Companhia das Letras, 1987) e ‘Cidadania no Brasil: o Longo Caminho’ (Civilização Brasileira, 2001), Carvalho responsabiliza o PT pela “desmoralização da esquerda”, mas minimiza a radicalização à direita de setores da sociedade. Para ele, a democracia não está ameaçada, mas é evidente a urgência por profundas reformas na política.

Brasileiros à beira de um ataque de nervos.

Tensão

Para o historiador e escritor José Murilo de Carvalho, o clima de tensão atual lembra o observado no Brasil no período militar. “Comparo a situação atual com a de 1964, quando minorias radicais provocaram uma quebra institucional, apesar de a maioria do país ser centrista. Hoje, graças, sobretudo, às redes sociais, a polarização está mais nacionalizada e exibe com mais evidência seu lado patológico”, afirmou, em entrevista ao EL PAÍS.

Dilma 5

É golpe ou não é? Como o mundo vê o impeachment de Dilma

Como a mídia internacional avalia a discussão do impeachment

A possibilidade de impeachment da presidenta Dilma Rousseff ganha espaço nos meios de comunicação internacionais. Muitos veículos fazem referência ao vídeo divulgado ontem (15) nas redes sociais, em que a presidenta faz um dos mais duros ataques ao que classifica como “aventura golpista”.

O jornal argentino Clarín traz na capa a crise política no Brasil e cita frase da presidenta: “A denúncia contra mim não passa de uma fraude”.

No períodico espanhol El País, a notícia é que o Brasil vive catarse coletiva do impeachment e que a presidenta, reeleita há apenas 15 meses, tem pouca probabilidade de evitar o impedimento.

Já o New York Times afirma que a “política brasileira é um esporte sangrento” e que a batalha do impeachment está inflamando paixões como nunca ocorreu antes.

A agência de notícias portuguesa Lusa traz a notícia de que Dilma cancelou encontro com movimentos sociais para se reunir com líderes parlamentares, em um último esforço para barrar o pedido de impeachment na Câmara dos Deputados.

A inglesa BBC noticia que a presidenta acusou aqueles que apoiam seu impeachment de “condenar um inocente para proteger os corruptos”.

O jornal americano The Washington Post afirma que, ao contrário de golpes de Estado da América Latina no século 20, a atual turbulência do Brasil não envolve exércitos e derramamento de sangue, mas que o país pode ver uma mudança de regime, um “golpe suave”.

No Reino Unido, o The Telegraph diz que Dilma Rousseff apelou à nação contra o que chamou de “golpe de Estado” por rivais “corruptos” nas últimas horas antes da discussão do processo de impeachment.

Dilma 4

Votação do impeachment de Dilma: as etapas do processo até a sessão da Câmara neste domingo.

O processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff foi aberto oficialmente na manhã desta sexta-feira, com a sessão que começa no plenário para discutir o parecer do deputado Jovair Arantes (PTB-GO), recomendando a abertura do processo de impeachment. O parecer foi aprovado nesta segunda pela maioria dos deputados que integravam a Comissão Especial por um placar de 38 a 27. Até domingo, os autores do pedido aceito pelo presidente da Câmara, a defesa do Governo e deputados se manifestam. Veja as etapas até a votação, marcada para a tarde de domingo.

Dia

Domingo – 10 SEGUNDOS PARA VOTAR NA CÂMARA

1) O início da votação está previsto para ocorrer entre 15h e 16h. Cada deputado terá apenas 10 segundos para manifestar o seu voto ao microfone. Segundo Cunha, o processo deve durar quatro horas e a votação terá terminado até as 21h. Antes deles, às 14h, começam a contar os 25 minutos que o relator Jovair Arantes tem para se pronunciar. Os líderes falam em seguida.

Quais deputados votam primeiro?

A ordem de chamada dos deputados ganha importância pela pressão intrínseca ao processo. Se mais gente votar contra ou a favor no início da votação, pode influenciar os votos seguintes. Cunha queria começar pelos deputados do sul, mais hostis à Dilma, e deixar os do Nordeste, mais favoráveis a ela, para o final. Mas cedeu aos pedidos para que seguisse um critério mais equilibrado, muito embora tenha deixado os nordestinos para o final.

Desta forma, os primeiros deputados a votar serão da região Norte e do Sul, começando pelos Estados de Roraima, e na sequência vêm os do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Amapá, Pará, para então começar os deputados de outras regiões. Serão chamados por ordem alfabética segundo seus Estados.

Assim, o primeiro voto será de Abel Mesquita Júnior (DEM-RR), mais conhecido como Abel Galinha, favorável ao impeachment.

Na ordem, serão:

1) Roraima

2) Rio Grande do Sul

3) Santa Catarina

4) Amapá

5) Pará

6) Paraná

7) Mato Grosso do Sul

8) Amazonas

9) Rondônia

10) Goiás

11) Distrito Federal

12) Acre

13) Tocantins

14) Mato Grosso

15) São Paulo

16) Maranhão

17) Ceará

18) Rio de Janeiro

19) Espírito Santo

20) Piauí

21) Rio Grande do Norte

22) Minas Gerais

23) Paraíba

24) Pernambuco

25) Bahia

26) Sergipe

27) Alagoas

O público poderá acompanhar da Câmara?

O acesso à Câmara neste domingo é restrito aos parlamentares. Mas a capital do país aguarda manifestantes contra e a favor do impeachment que devem ocupar o gramado da Esplanada dos Ministérios, dividido por uma cerca.

Por que foi erguida uma cerca?

Para evitar conflitos num momento de forte polarização política. Ao contrário do impeachment de Fernando Collor em 1992, a presidenta Dilma tem apoio forte de setores da sociedade.

O que acontece depois?

O processo segue para o Senado, que deve criar uma Comissão Especial encarregada de dar parecer à autorização da Câmara para que se instaure o processo nessa casa. O debate se estende durante o mês de maio, que pode marcar a votação para o dia 12.

1

Acompanhe o debate que levará à votação do impeachment ao vivo.

Siga a discussão que irá culminar na votação do impeachment no domingo.

Acompanhe o debate que levará à votação do impeachment ao vivo. Participe pela nossa fanpage:  Magé|Online.com

Assista ao vivo.

1
Antonio Alexandre, Magé|Online.com 

 

 

 

 

Além disso, verifique

Magé realiza Festa do Trabalhador 2026 com shows, homenagens e lançamento do tema dos 461 anos

Evento acontece no dia 1º de maio e terá como destaque o cantor Dilsinho. Publicado …

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *