GRANDES QUANTIDADE DE CHORUME NA BAÍA DE GUANABARA PODE AFETAR CONSUMO DE PEIXES

Bióloga alerta que além de fazer mal à biodiversidade da Baía, a poluição também prejudica a qualidade nutricional e sanitária dos pescados. 

Não é de hoje que ambientalistas denunciam o despejo ilegal de mais de um bilhão de litros de chorume por dia na Baía de Guanabara. A trágica situação, que se repete ao longo dos anos, ganha destaque em momentos como a Semana Santa, quando o consumo de peixes aumenta.

Muitos profissionais da pesca estão preocupados com a qualidade dos peixes da Baía de Guanabara. “Não é segredo que o chorume do antigo lixão do Jardim Gramacho e o tolueno das empresas petrolíferas contaminam as águas da Baía de Guanabara há décadas“, afirma o pescador.

Bióloga e pesquisadora do Instituto Oswaldo Cruz – Fiocruz –, Rachel Ann Hauser-Davis explica que: “Na Baía de Guanabara, o problema do chorume se agrava devido à intensa urbanização, o despejo irregular de esgoto doméstico e industrial e à presença de diversos lixões clandestinos nas regiões periféricas. A entrada contínua de chorume e outros efluentes contaminantes nesse ambiente compromete diretamente a saúde dos organismos aquáticos, podendo levar ao acúmulo de poluentes e efeitos na saúde dos animais, como imunosupressão e alterações no seu crescimento e nas taxas reprodução. Em casos mais críticos, a alta carga orgânica do chorume pode reduzir drasticamente os níveis de oxigênio dissolvido na água, criando ‘zonas mortas’, onde a vida aquática não consegue sobreviver. Isso, além de afetar a biodiversidade da Baía, afeta também a qualidade nutricional e sanitária do pescado consumido pelas populações humanas. Assim, existem riscos associados ao consumo do pescado vindo da Baía de Guanabara. O consumo de peixes contaminados com metais, pesticidas e hidrocarbonetos derivados do petróleo, por exemplo, pode causar problemas neurológicos, renais e hepáticos e distúrbios endócrinos além de câncer, dependendo do tipo de contaminante presente. Além disso, a presença de microrganismos patogênicos aumenta o risco de infecções gastrointestinais, dentre outros. Por isso, deve-se evitar consumir com frequência alguns peixes, como raias e cações, meros e garoupas, que por serem carnívoros acumulam maiores quantidades de poluentes, e preferir espécies mais seguras como a sardinha, a tainha, o xerelete e o parati”.

 Diante da crise do chorume não tratado, o Movimento Baía Viva, organização socioambiental fundada em 1984, enviou um ofício para autoridades públicas da área ambiental.

O Movimento solicitou o agendamento de vistorias técnicas aos lixões e aterros sanitários que despejam chorume na Baía de Guanabara e cobrou a participação de equipes do IBAMA-RJ, INEA, Prefeituras, além de pescadores artesanais impactados, dos ministérios Público Federal (MPF-RJ) e Estadual (MP-RJ) e da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro.

“Cobramos que sejam adotadas as providências necessárias para a imediata e liminar suspensão do encaminhamento de chorume para as ETE’s das concessionárias de saneamento, como estabelece a legislação ambiental do Estado do Rio de Janeiro, e a criação de Grupo de Trabalho (GT Chorume não tratado) sob a coordenação do IBAMA-RJ, para elaborar diagnóstico sobre a situação da produção, do gerenciamento e tratamento do chorume produzido em grande volume pelos lixões ditos “desativados”, presentes no território da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, tais como o Morro do Céu (Niterói), Itaóca (São Gonçalo), Guapimirim, Bomgaba (Magé), Babi (Belford Roxo), Gramacho (Duque de Caxias) e Gericinó (Rio de Janeiro), assim como também abrangendo a situação do grande volume de chorume produzido, estocado e parcialmente tratado pelos aterros sanitários licenciados (CTRs) dos municípios da RMRJ. Destaca-se que o lixão de Bomgaba, em Magé, oficialmente continua ativo e em operação. Essa situação está levando pescadores a morrerem de câncer, trabalhando em ambiente contaminado”, destaca Sérgio Ricardo, um dos fundadores do Movimento Baía Viva.

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